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Pouco divulgada na América, a escocesa Sandi Thom, de 26 anos, estourou na Inglaterra no ano de 2006 com o hit “I Wish I Was Punk Rocker (With Flowers In My Hair)”, que alcançou o primeiro lugar entre as mais tocadas na época. Seu sucesso começou pelo MySpace, onde suas apresentações conseguiram chamar a atenção de uma boa parcela de público e por seguinte da RCA, sua atual gravadora, que percebeu o potencial da moça e logo a contratou. “Smiles... It Confuses People”, nome dado ao primeiro álbum, foi lançado em 05 de junho do mesmo ano e alcançou o topo das paradas no Reino Unido.
 Basicamente folk, “ Smiles...” é um bom disco com arranjos simples e vocais limpos. “I Wish I Was Punk Rocker”, por exemplo, possui poucos instrumentos. Em alguns trechos ouvimos apenas a voz de Sandi, sempre muito pura e marcante, sem artifícios eletrônicos, junto às palmas da banda acompanhante. De certa forma uma produção bem “caseira”. Provavelmente esse seja um dos motivos para o sucesso da música: sua simplicidade e leveza. Sua letra, outro ponto forte, soa sincera e emocionante, onde Sandi diz querer ter nascido na década de 60, onde a revolução estava no ar, quando as mudanças aconteciam, quando se acreditava no futuro e onde os jogadores de futebol eram cabeludos e os pop stars eram mitos. Como ela própria diz no refrão “ nasci muito tarde, num mundo que não se importa".
Depois de dois anos, Sandi acaba de produzir seu segundo disco. Lançado dia 26 de maio desse ano e intitulado de “The Pink & The Lily”, o álbum tem o desafio de ser tão bom quanto o primeiro disco e alcançar o mesmo sucesso. Quanto à qualidade pode-se dizer que ela se superou e entregou um trabalho ainda melhor. Dessa vez a produção é mais detalhada e podemos perceber a inclusão de vários instrumentos como gaitas, violinos, pianos e as guitarras.
A primeira faixa do álbum é a animada “The Devil's Beat”, escolhida também para ser o carro chefe do disco. Uma escolha delicada para single, principalmente se levarmos em conta que o disco contém músicas com mais potencial para o sucesso, porém, não deixa de ser contagiante. A segunda faixa “Shape I'm In” mantém o ritmo da primeira e tem forte presença das gaitas tocadas pela própria Sandi. Em seguida ouvimos “Wounded Hearts”, uma das melhores faixas do disco. Uma linda balada com violinos e vocais delicados.
“Saturday Night” é um convite para dançar e tem cara de hit. A faixa mais espontânea do disco e que nos remete ao som descolado dos anos 80. Além dela, o disco vem com outras músicas agitadas como “Music In My Soul” e “Remote Control Me”. A doce “Success's Ladder” lembra muito o primeiro hit de Sandi. Ela começa cantando sozinha e conforme transcorre o tempo, entram as palmas e os backing vocals, mais presentes nesse disco. Entre todas as músicas do álbum é nesta que podemos perceber, de melhor forma, o potencial vocal de Sandi.
“The Pink & The Lily”, a faixa título e a melhor do disco, tem influências da música celta. Em alguns momentos lembra antigas canções da banda irlandesa The Corrs. “I'm A Human Being” é a mais folk de todas. Nela ouvimos citações de nomes como Rollings Stones, Joni Mitchel e Stevie Wonder. E para fechar o disco, Sandi canta “My Ungrateful Heart”. Acústica, lenta e doce. Uma boa maneira para terminar.
Sandi Thom nos entrega um álbum coeso e honesto. O que falta é uma divulgação mais eficaz por parte da gravadora que está focada somente na Europa e Oceania. Por hora os discos de Sandi não chegaram ao Brasil e duvido que um dia cheguem, mas para quem gosta de boa música e de cantoras multifacetadas, Sandi Thom é uma boa opção. E o melhor de tudo, sem ter que rebolar para chamar atenção do público. 12/10/2008
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