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Eu esperava ansioso pelo momento em que ela acordaria. Eu queria abraçá-la, queria beijá-la. Pensava no que deveria dizer e no que fazer. Iria dizer-lhe que eu sempre estaria ao seu lado, que jamais a deixaria sozinha e o quanto a amava. Ela tinha que saber o quanto eu precisava dela.
Eu imaginava tantas coisas, tantas razões e, embora nenhuma delas me fosse suficiente, eu a compreenderia e a protegeria de tudo, de todas as coisas ruins. A vida ganharia um novo sentido, tudo seria diferente, tudo seria melhor.
Quando ela acordou, um súbito pânico me invadiu e eu não consegui dizer tudo o que planejara. Tentei esconder meu medo e minha decepção, mas um disfarce foi impossível, então, sem eufemismo, perguntei:
- Por quê?...
Esperava que ela se desculpasse, que confessasse precisar de mim. Mas, diferente de tudo o que eu havia imaginado, ela respondeu simplesmente:
- Eu não sei.
Não era a resposta duvidosa de quem parece confuso ou assustado, parecia mais a resposta de alguém que não se importava com o que tinha feito, de alguém indiferente ao que poderia provocar no outro.
Como podia não saber? Talvez só não quisesse dizer, talvez entendesse que nenhum motivo seria suficiente. Mas também não parecia arrependida. Não, não estava arrependida. Como podia não se sentir culpada?
Diante da indiferença comecei a acreditar que ela foi apenas egoísta e insensível. Provavelmente jamais pensou em mim, somente em si mesma e em suas razões tolas.
Um misto de frustração e raiva começou a substituir minha compaixão. Senti uma enorme vontade de agredi-la e exigir-lhe respostas. Eu precisava de uma explicação, ela me devia isso, devia isso a todos que a amava. Mas eu não poderia cobrar-lhe, não agora.
...
Quando acordei, ele estava lá e de um jeito magoado me perguntou:
- Por quê?
Eu poderia reclamar da vida, fingir um arrependimento ou ter coragem e confessar-lhe o quanto a vida tornara-se uma tortura. Contar-lhe das horríveis sensações que eu sentia todos os dias, das dores, dos medos, das dúvidas. Poderia ter-lhe revelado o meu ódio por tudo, o quanto eu o acusava pelo que eu sentia e o que eu tive que suportar até conseguir com que nada mais importasse.
Queria falar sobre como é não ter mais o peso da vida, como é não precisar chorar, não precisar sofrer, nem mesmo sentir. Queria revelar-lhe como percebi o quanto a morte poderia ser tranquilizadora. Mas ele jamais entenderia...
Então, tudo o que respondi foi:
- Eu não sei. 22/09/2006
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